domingo, 20 de dezembro de 2015

vo matilde

          a determinação fez dessa mulher uma família unida e as tradições foram preservadas. Uma casa portuguesa com certeza.
          a fé foi outro fator decisivo na vida da vó Matilde. Devota pia de São Francisco, católica fervorosa, jamais duvidou daquilo que acreditava.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

UM DIA QUALQUER NO PASSADO

Guaratuba, 09 de Abril de 2015
          Sei pouco daquele dia. Não sei como cheguei ali. Lembro o tio Ferreira conversando comigo sobre as casas bonitas à nossa volta. "Essas casas são de Tubarões" disse. Era como chamavam as pessoas ricas naquele tempo.
          A Laurinda e a Ângela estavam lá também, correndo pela rua deserta. Esperávamos o horário para entrar no hospital. Recordo a demora, ou para as crianças o tempo é sempre longo quando não estão a brincar. Os tubarões eu os imaginava gordos dentro de seus carros e as casas eu as conhecia por dentro, pois quando se entra em algumas todas se parecem. Eu já entrara em muitas, mas frequentava a casa de minha madrinha onde a mãe bordava e costurava para ela. Era uma mansão.
         O hospital eu não conhecia e não gostei... O pai nos levou a uma sala onde estava um bebe no caixão, mas o que me impressionou mesmo foram os bebes dentro de garrafas cheias de água; eram feios não pareciam bebes, mas eram e eu não tinha dúvidas...( Sei hoje tratar-se de fetos em formol ou líquidos que os preservavam em tubos de ensaios). Fiquei contente quando saímos dali.
         No quarto daquele hospital a mãe estava deitada com o olhar fixo no vazio sem dar importância a nossa presença tampouco ao caixão que o pai segurava para que ela visse o filho.
          Aconteceu o inesperado... Quando ele foi fechar aquele esquife, a mãe agarrou a criança, virou-se para a parede e o segurou com firmeza sem dar chance alguma que alguém o tirasse dela. Saímos todos do quarto enquanto as enfermeiras tentavam acalma-la. Nunca soube o que houve lá dentro. O pai saiu de lá com o bebe no caixão.
          Eu conheci o cemitério vendo o pai carregar aquela caixa pequena onde estava meu irmão. Foi sepultado em cova aberta,(não gosto da expressão enterrado), mas foi exatamente dessa forma. Hoje temos um túmulo nesse lugar. Cada uma de nós pegou um punhado de terra e jogamos naquele buraco. Tio Ferreira pediu para fazermos isso, pois não sentiríamos medo.
Na memória...meu irmão natimorto.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Guaratuba 04 de fevereiro 2015
 
O awsaimer
 
o pai está cada dia mais confuso.
 Agora ele só come linguiça se for da perdigão.
colocou na cabeça que as outras são feitas de seres humanos; diz que existe uma maquina onde colocam um gordo de um lado e sai linguiça no outro.
Claro que afirmamos que as linguiças são da marca que ele quer, pois sabemos não há logica alguma em suas afirmações.
Ele  diz que conheceu um senhor, cuja esposa uma senhora muito gorda, entrou no açougue para comprar carne. Como a mulher estava demorando para voltar ele resolveu procura-la e quando chegou no açougue já era tarde, estavam terminando de fazer as linguiças com o corpo de sua esposa.