eu fui à casa de um "Anjo". senti medo, pensei que iria morrer.
estava marcada minha cirurgia para o dia 14 de junho, me internaria no dia 13 de junho, ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016, no Hospital das Clínicas.
desde que marquei essa cirurgia o Zé passou a me atormentar parecia que desejava logo a minha morte
abri meu computador e visitei a casa de um "Poderoso." Para entrar eu deveria mostrar quem sou. Eles não permitem a qualquer pessoa acesso aos seus domínios.
abri meu computador e visitei a casa de um "Poderoso." Para entrar eu deveria mostrar quem sou. Eles não permitem a qualquer pessoa acesso aos seus domínios.
diante de uma série de perguntas, respondi com toda a sinceridade que me cabia, contei minha história , porque naquele momento eu não estava ali e sim minha alma a reviver a jornada de cada degrau da existência sem graça que vivi
falei a ele sobre meu pai e meu avô. Da história que sempre ouvi em criança. "Os ingleses queriam comprar você". Um dia fiquei a saber que realmente eles me venderam. como minha avó correu pelo navio a me procurar, o capitão lhe disse; "se a menina estiver nesse navio nós a encontraremos." Encontraram-me em uma mala por causa de meu choro. Disseram-me que eu estava com fome e chorei. Devo ter chorado por estar sufocada. Até hoje tenho pavor de ambientes fechados. E agora estou aqui a pedir para ser presa em qualquer quarto fechado. Devo ter herdado a loucura de minha mãe. Eu sou louca, mas não perdi o juízo, tudo o que parece ser real não está em seu devido lugar. "
O cunhado de minha prima, quando eu era pequena veio visitá-la. Brincávamos no campo em frente nossa casa e aquele senhor perguntou à mim e a minha irmã "Qual das duas os ingleses compraram?". Todas as crianças responderam e me apontaram. Fiquei triste e disse; "eles não me compraram, queriam mas minha mãe não vendeu"
Lembro de contarmos em casa sobre o senhor, a mãe e a vó conversarem, "Onde já se viu falar isso às crianças", mas em nossa idade tudo passa, pois é irrelevante, esquecemos, deixamos de lado. Depois de casada fui à casa da tia Melania, irmã de meu pai e o Zé comentou com o tio, "Ainda bem que não a venderam aos ingleses, assim ela veio pra mim e agora estamos casados". Meu tio retrucou rápido, "não foi bem assim a história, eles a venderam mesmo". Minha tia ficou muito braba e disse "A comida não te tapa a boca?". Ele respondeu, "Venderam mesmo", ela disse "Não foi meu irmão, foi o avô dela", e mudaram de assunto, tão rápido como começaram.
Eu não lembro de ter vivido isso, porque ocorreu quando tinha quarenta dias, foi na vinda da Ilha da Madeira para o Brasil, nas Ilhas Canárias. Muitas vezes eu tive dúvidas e certezas, desde criança como havia ocorrido tudo. Os fatos e as conversas passaram a frequentar o consciente de minha memória. tudo o que estava adormecido em mim, vem como um relâmpago e as lembranças afloram. Eu não quis namorar o André, mostravam-me o que ele possuía em bens e eu não conseguia vê-lo como o homem que poderia amar um dia. eu era muito jovem).
Minha mãe me cobrava e quando me disse "Namora com ele porque você me deve isso." fiquei intrigada, nunca esqueci.
Quando o Edgar nasceu meu pai teve uma conversa estranha quando viajamos à praia e eu amamentava. "Se alguém te roubar essa criança, ele nunca vai lembrar de ti, nem saber que você existiu e nem vai sentir tua falta". Perguntei-lhe porque estava falando assim e ele só me disse "Sua nojenta". Até meu cunhado Enoir disse-lhe é seu Agostinho," porque está a falar isso? ". Nesse dia eu tive a certeza de ter sido vendida. Outra certeza, quando minha irmã Bete engravidou aos quatorze anos, a nossa casa ficou um alvoroço, uma verdadeira Torre de Babel, e minha mãe foi passar uns dias na casa de praia antes do casamento. Estava muita discussão na sala, eu fazia o almoço, não queria participar de nada e o Zé não parava de me perguntar onde estava o Ednei, meu filho com dois anos. Em meio aquela discussão toda, fui procura-lo e não encontrava em lugar algum. Assustada tive a certeza de que fora roubado, entrei em pânico, meu inconsciente que sempre soubera que um dia fui raptada. Gritei como louca pela vizinhança a procurá-lo, deixei a rua em polvorosa. Dona Lenita, uma vizinha sensata, veio até meus gritos, com palavras suaves "Calma Linda, crianças dormem em qualquer cantinho quando sentem sono". Foi nesse exato momento que lembrei, ele chegar na cozinha. levantar os bracinhos a pedir meu colo, que queria mamar e estava com muito sono. Eu troquei suas fraldas, fiz uma mamadeira e o coloquei no bercinho. Corri até o quarto e lá estava a dormir como um anjo. Estranho e que fui várias vezes ao quarto, vi os brinquedos e não vi meu filho. Eu estivera em transe ao procurá-lo e lembrei depois disso como minha avó deveria ter se sentido ao voltar da missa no navio e não encontrar-me no berçário. Como ela correu naquele navio eu corri pela vizinhança. Mais triste foi minha mãe quando voltou de viajem. Ela escarneceu de meu sofrimento, riu à solta e dizia, "então você pensou que havia perdido teu filho?". tive certeza e tenho dúvidas. Ela estava junto com meu pai e avô. Meu pai negou a participação dela, e acusou meu avô de convencê-lo.
Meu avô era um homem sem escrúpulos imoral e amoral, fazia minha avó e a família passar vergonha.
falei a ele sobre meu pai e meu avô. Da história que sempre ouvi em criança. "Os ingleses queriam comprar você". Um dia fiquei a saber que realmente eles me venderam. como minha avó correu pelo navio a me procurar, o capitão lhe disse; "se a menina estiver nesse navio nós a encontraremos." Encontraram-me em uma mala por causa de meu choro. Disseram-me que eu estava com fome e chorei. Devo ter chorado por estar sufocada. Até hoje tenho pavor de ambientes fechados. E agora estou aqui a pedir para ser presa em qualquer quarto fechado. Devo ter herdado a loucura de minha mãe. Eu sou louca, mas não perdi o juízo, tudo o que parece ser real não está em seu devido lugar. "
O cunhado de minha prima, quando eu era pequena veio visitá-la. Brincávamos no campo em frente nossa casa e aquele senhor perguntou à mim e a minha irmã "Qual das duas os ingleses compraram?". Todas as crianças responderam e me apontaram. Fiquei triste e disse; "eles não me compraram, queriam mas minha mãe não vendeu"
Lembro de contarmos em casa sobre o senhor, a mãe e a vó conversarem, "Onde já se viu falar isso às crianças", mas em nossa idade tudo passa, pois é irrelevante, esquecemos, deixamos de lado. Depois de casada fui à casa da tia Melania, irmã de meu pai e o Zé comentou com o tio, "Ainda bem que não a venderam aos ingleses, assim ela veio pra mim e agora estamos casados". Meu tio retrucou rápido, "não foi bem assim a história, eles a venderam mesmo". Minha tia ficou muito braba e disse "A comida não te tapa a boca?". Ele respondeu, "Venderam mesmo", ela disse "Não foi meu irmão, foi o avô dela", e mudaram de assunto, tão rápido como começaram.
Minha mãe me cobrava e quando me disse "Namora com ele porque você me deve isso." fiquei intrigada, nunca esqueci.
Quando o Edgar nasceu meu pai teve uma conversa estranha quando viajamos à praia e eu amamentava. "Se alguém te roubar essa criança, ele nunca vai lembrar de ti, nem saber que você existiu e nem vai sentir tua falta". Perguntei-lhe porque estava falando assim e ele só me disse "Sua nojenta". Até meu cunhado Enoir disse-lhe é seu Agostinho," porque está a falar isso? ". Nesse dia eu tive a certeza de ter sido vendida. Outra certeza, quando minha irmã Bete engravidou aos quatorze anos, a nossa casa ficou um alvoroço, uma verdadeira Torre de Babel, e minha mãe foi passar uns dias na casa de praia antes do casamento. Estava muita discussão na sala, eu fazia o almoço, não queria participar de nada e o Zé não parava de me perguntar onde estava o Ednei, meu filho com dois anos. Em meio aquela discussão toda, fui procura-lo e não encontrava em lugar algum. Assustada tive a certeza de que fora roubado, entrei em pânico, meu inconsciente que sempre soubera que um dia fui raptada. Gritei como louca pela vizinhança a procurá-lo, deixei a rua em polvorosa. Dona Lenita, uma vizinha sensata, veio até meus gritos, com palavras suaves "Calma Linda, crianças dormem em qualquer cantinho quando sentem sono". Foi nesse exato momento que lembrei, ele chegar na cozinha. levantar os bracinhos a pedir meu colo, que queria mamar e estava com muito sono. Eu troquei suas fraldas, fiz uma mamadeira e o coloquei no bercinho. Corri até o quarto e lá estava a dormir como um anjo. Estranho e que fui várias vezes ao quarto, vi os brinquedos e não vi meu filho. Eu estivera em transe ao procurá-lo e lembrei depois disso como minha avó deveria ter se sentido ao voltar da missa no navio e não encontrar-me no berçário. Como ela correu naquele navio eu corri pela vizinhança. Mais triste foi minha mãe quando voltou de viajem. Ela escarneceu de meu sofrimento, riu à solta e dizia, "então você pensou que havia perdido teu filho?". tive certeza e tenho dúvidas. Ela estava junto com meu pai e avô. Meu pai negou a participação dela, e acusou meu avô de convencê-lo.
Meu avô era um homem sem escrúpulos imoral e amoral, fazia minha avó e a família passar vergonha.
