segunda-feira, 18 de abril de 2011

emigrante

de mogli, o menino lobo- Wall disney

assisti quando tinha dezesseis anos.
Talvez eu me identifique tanto com Mogli, porque como ele, nasci em uma terra diferente daquela em que vivo.
Como Mogli, sou emigrante.
Por esse motivo, gosto tanto da musica do filme
Quero achar
meu lugar
Quero ter
o meu próprio lar
hum!hum!hum!
oh!oh!oh
o meu pai vai pra floresta
minha mãe vai cozinhar
e eu vou encher o pote
pra ter água pra lavar
pra lavar
pra lavar
e eu vou encher o pote
pra ter água pra lavar
hum!hum!hum!
oh!oh!oh!

Mas eu vou me casar um dia
e uma filha vou criar
e ela irá encher o pote
pra que eu possa cozinhar
hum!hum!hum!
oh!oh!oh!
E ela irá encher o pote
pra que eu possa cozinhar

Vale a pena assistir de volta Mogli o menino lobo

sexta-feira, 15 de abril de 2011

na aula de francês

segunda
É cedo ainda. Ao meu lado o Zé dorme como uma criança e no silêncio da manhã posso ouvir a arrebentação da maré, talvez seja o frio exagerado deste inverno, mas sinto preguiça de acordar agasalhada em meu cobertor. O jeito será trocar logo de roupa, me aquecer com um casaco bem quente, tomar quatro chícaras de café bem quente e amargo como gosto e começar bem o meu dia.
Não há nele nada de interessante, além da rotina, de uma existência de cinqüenta e três anos, arrumar minha casa, fazer almoço, arroz, feijão, carne e salada.
O Zé está fazendo uma calçada, arrumando tudo para receber nossos netos no natal. Essa espera, nossa esperança em poder abraçar, beijar, afagar, nos dá vida, alegria . Por enquanto nos contentamos em olhar fotografias, conversar ao telefone, escrever cartas e nos orgulhar-mos em ter um neto com nome de anjo... Gabriel, apenas um sonho.
Passo o dia tranqüila, converso com o Zé, bordo, desenho, leio, ando de bicicleta, vou à praia olhar o mar, ouço música, visto o arco-íris , trabalho.
Tenho tudo o quer preciso, minha casa é simples e arrumada, mas o quintal principalmente é maravilhoso. À quatro quadras tenho uma baía inteira, vejo o pôr do sol mais lindo e alaranjado da janela de minha cozinha enquanto preparo o jantar e aquela muralha de selva , da Serra do Mar, a lua de madrugada ilumina toda a minha casa, como o sol aquece durante o dia. Ouço a tempestade e as ondas quebrando a ressaca.
O Zé acendeu uma vela no altar, uma pequena Capela que tenho entre o banheiro e o quarto do Ednei. Quem estiver ali não será incomodado nunca, pois sei que está rezando.
Outro dia vi uma serpente linda, dançando envolta na mangueira do jardim. Senti medo, pânico, porque eu estava sozinha, o Zé tinha viajado e meus vizinhos me ajudaram, jogando a cobra em um terreno baldio. Soube depois ser uma Jararaca. Não sei como veio parar em minha casa, mas por esse motivo eu tenho a Tuca, uma cadela vira-lata, presente de Deus aos humanos, o sexto sentido que precisamos.
Enquanto janto, assisto novelas porque gosto de histórias em folhetim, admiro a imaginação de seus autores, além de ficar por dentro da moda em roupas, móveis, livros, teatros, enfim, tudo o que há no mundo de consumo e Guaratuba não tem, porque realmente não precisa.
Mais tarde, quando o cansaço chega e me deito, ouço a arrebentação da maré, o silêncio da noite, quebrado pelos latidos da Tuca. Deve ser Mefístoles, o gato de Alberto, amarelo como o sol, que voltou do exílio e fica debochado sobre o muro.
A maré, o silêncio arrebentando as ondas, o latido da Tuca, longe, Mefístoles...longe...
Guaratuba é o Éden, o melhor lugar do mundo para minha alma vive...adormecer.

Texto feito para aula de francês em 06 de agosto de 2007- traduzido.

sábado, 2 de abril de 2011

um costume antigo

A camisa negra, me lembra o luto, um costume antigo, fora de uso hoje em dia.

Minha avó, dona Matilde, devota de São Francisco, tinha uma preocupação intensa com a morte, pois queria chegar bem apresentada diante de Deus, motivo pelo qual conservava sua mortalha impecável, guardada na gaveta da comoda

Todos seus parentes, amigos e conhecidos, sabiam de sua preocupação com a morte, pois mostrava a cada um o lugar onde a guardava e a medalha de ouro, bodas da Ordem Secular Franciscana e do amor infinito que tinha pelo Santo.

Em seu velório tenho a certeza, todos que se aproximaram de seu esquife, foram verificar se estava devidamente vestida como desejava para chegar ao céu.


texto para prova de espanhol, em 2010.