sábado, 17 de junho de 2017

feita por encomenda

selaram um dia meu destino
venderam-me ao nascer
colocaram-me em uma mala
despacharam-me
sem piedade minha sina
o sangue de minha estirpe
buscou por mim
corria escadas
enfrentava
o furo do mar revolto
havia de me encontrar
não poderia estar longe
o rebento de seu futuro
eu chorei
disseram ser fome
eu sei que foi medo
precisava respirar
sufocada implorei
era o único som que podia emitir
eu não sabia falar
desejava calor e proteção
estava a me perder
no endereço enviado
chorar
resgatada pelo tempo
outrora
vivi na culpa das lágrimas
amarguei o sal do soro
proscrita nos sonhos da infância
a certeza é hoje
sempre estive presa
dentro daquela mala

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