quarta-feira, 25 de maio de 2011
meu nome
domingo, 22 de maio de 2011
Guaratuba, 17 de maio de 2011
Querido filho Edgar
Tua avó partiu!
Espero que você esteja bem e tranqüilo para poder continuar tua jornada.
Pena estar tão longe e não poder segurar a alça daquele caixão guardado no mesmo túmulo de teu avô.
Tua avó foi sepultada sem as mãos bendezidas de seus netos para tocar-lhe as mãos frias da morte
O velório foi bonito, apesar de ser um dia de semana tinha muita gente. O cortejo seguiu lento em um dia azul e frio.
Os amigos de tuas tias estiveram presentes, tanto no velório como no sepultamento. Ela recebeu muitas coroas de flores.
Teu padrinho Enoir e teu primo Edson, ajudaram a segurar a alça do caixão, tanto na saída de casa como no cemitério para colocá-lo no carrinho e depois para guardá-lo na gaveta do túmulo. Eles fizeram por você o que o coração mandou.
Teu pai está te mandando obituário. Reze por ela e peça a Deus que tenha piedade por sua alma.
Beijos de tua mãe de teu pai que te amam muito.
Linda
quarta-feira, 18 de maio de 2011
procuras
no céu sem limites
no paraiso incerto
no inferno vivido
procurei você;
em pessoas
alegres e tristes
nos lugares;
escuros e longos
nas crianças
que em meu caminho
para longe atirei;
não encontrei
em nada pro mundo
ninguém melhor
ou pior;
que eu
Comemorar bodas
caro amante
caro amigo na solidão do tempo
não envelhecemos
separados à distância
juntos no pensamento Recordar o tempo
Recordar o amante
recorrer o amigo]Neste longo caminho
!Não caimos!
sábado, 7 de maio de 2011
pesadelo
Pesadelo
Guaratuba, 17 de abril de 2011
De repente eu estava no meio do capinzal, mato alto, vegetação desconhecida, conversando com um bebe somente de fraldas descartáveis. Ele me dizia que estava bem, que eu não precisava me preocupar, por que estava entre amigos, que logo o pai viria buscá-lo. Esse bebe, era o Jonas Gabriel, que o Edgar havia deixado para traz, quando voltou de viagem para o Piauí. Eu não conseguia entender porque ele tomara uma atitude tão brutal, abandonando o filho no meio da rua com outros bebes abandonados. Carinhosamente o peguei no colo e perguntei se tinha mais fraldas para trocar porque estava todo sujo. Envolveu seus pequenos bracinhos em meu pescoço, me beijou bastante na face e chorou, me pedindo que não queria ficar ali, porque tinha medo dos ratos. Foi quando vi ratazanas passeando no meio do capinzal, e disse a ele, _vou pedir a avó Helena para deixar você morar na casa dela, até teu pai vir te buscar, pois eu não Tenho onde morar também eu estou tão só quanto você. De repente eu não estava mais no capinzal, caminhava pela rua oposta a minha casa onde morei toda a ávida, antes de vir PARA Guaratuba. Percebi então que estava tendo um pesadelo. Mas como vim parar ali? Só poderia ter levantado de minha cama dormindo, me sentia cansada, pois estava na rua sonâmbula e acordei caminhando. Parecia longe demais para chegar a minha casa. Eu sabia que o Edgar não abandonaria o filho e estava satisfeita de estar somente sonhando. Mas preocupada porque andava no sonho. Foi um sonho, dentro de outro sonho, meu Deus que aflição, pelo abandono, pelos ratos, pelo mato tão alto, por andar dormindo, cansada... Acordei, sobressaltada, agora escrevo tudo sem nexo, para não esquecer, não quero perder o fio da meada, sabe como é sonho, em um relance você esquece tudo.
Ontem falei ao telefone com o Ednei, parecia preocupada, deve ter sido este o motivo de pesadelo tão feio. Meu Deus! Enquanto escrevo isto, estou chorando.
domingo, 1 de maio de 2011
Como me lembro, de minha avó ajoelhada aos pés da mãe de dona Ana Mikowski, para entregar sua alma a Deus,
A oração da boa morte
Preocupação com a sua Própria morte no hospital Erasto Gaetner, e de como os franciscanos da ordem terceira, rezando por ela para entregar sua alma a Deus.
A Rosalina estava chorando na casa de minha avó pedindo a ela que fosse rezar aos pés de sua avó, que estava morrendo.
Com muita paciência, a senhora dona Matilde, buscou seus missais, e foi para a casa da família Mikowski, para confiar à alma da velha senhora ao todo poderoso.
Eu e meus irmãos passamos a tarde brincando na rua, (Naquele tempo a rua era tranqüila, não passavam carros e o povo muito mais educado), mas parava de pular corda para entrar na casa da vizinha e sondar o que estava acontecendo, curiosidade natural de criança, que não compreendia nada da morte, nem o sentido que aquele era o momento, em que o ser humano está mais só em toda sua vida.
Esta solidão, minha avó completava com suas orações, ajoelhada aos pés da cama da moribunda, pedia a Deus sua salvação na vida eterna, esperando junto a Ele seus descendentes que um dia a acompanhariam naquela jornada, aonde todos vamos, apenas a avó de dona Rosalina estava indo na frente, encontrar os seus que já se foram.
Minha avó rezava a oração da Boa Morte, a Ladainha da Entrega, e em momento algum pensou em levantar dali, apoiada na sua fé, ouvindo o choro e a lamuria dos familiares dessa senhora, que fraca na sua doença tentava balbuciar as palavras da oração com fé, sabia que sua hora havia chegado.
Eu não estava gostando daquele ambiente, saia para brincar novamente, mas não conseguia me concentrar na brincadeira, sempre entrava na casa, para sondar aquilo que estava acontecendo ali. Minha mãe me pedia silêncio, pois o momento era solene, ali estava sendo realizado um ritual antigo, por alguém que conhecia e acreditava naquilo que estava fazendo.
Várias vezes eu brinquei e entrei na casa, fiquei velando junto a eles, mas a tristeza era muita. Porque sentimos tanta amargura quando perdemos o ente amado? Se acreditarmos que vamos para melhor, no Jardim do Édem, não deveríamos chorar tanto.
Minha avó rezou a manhã toda, não aceitou comida e água, enquanto fazia suas orações junto à velha senhora, que ao entardecer daquele dia, expiou.
Apoiada por Rosalina, sem forças para levantar, minha avó chorou.
Naquela noite, enquanto rezava seu terço, sentada, (raras vezes rezou assim, mas seus joelhos deviam estar doendo demais), Dona Matilde sabia que tinha feito a boa ação Franciscana, e que seu santo estava orgulhoso dela.
Não existe a dor para quem tem fé.
Texto da Linda/ 15/04/2011.
Guaratuba, 29 de abril de 2011.
Fui morar na Vila Cubas, aos 7 anos, porque meu pai perdeu o emprego na fabrica de erva mate, Leão Junior, onde trabalhou desde o primeiro dia que chegou a Curitiba, exatamente sete anos antes, e vivi nela durante toda a minha vida, até vir para Guaratuba. Apenas quatro anos de licença em Bauru.
Nossa casa era de madeira, com cinco degraus mais ou menos, feitos de pilares altos, e dava para entrarmos embaixo dela, onde eu e meus irmãos costumávamos brincar. Nunca tive claustrofobia quando criança não sentia medo de ficar embaixo da casa. Porém, certa vez sonhei que estava brincando lá e, de repente, o vão entre a casa e a liberdade ficou muito estreito e eu não conseguiria sair. Fiquei desesperada com a situação em que me encontrava, olhando por todos os lados, estava presa ali. Comecei então a gritar por socorro, chamando minha mãe, mas a voz saia muito baixinha, quase um sussurro. Dessa forma minha mãe nunca me ouviria, e cada vez tentava gritar mais alto, mas a voz estava sufocada, e eu não conseguia emitir som algum. Acordei com um safanão de alguém , não lembro se minha mãe, ou meu pai ou quem sabe minha avó, porque eu gritava em alto e bom som chamando por minha mãe dentro do quarto, apesar, de no sonho a voz não sair.