terça-feira, 11 de outubro de 2011

Vilões


Há trinta e cinco anos eu subi ao topo de uma montanha muito alta e parei diante do precipício, apesar de sentir meus pés tremerem e o chão não estar firme.

Não senti medo em cair no abismo sem ouvir a voz da prudência que me alertava para não olhar tão fixo aquele buraco imenso. Por isso hoje de tanto olhar faço parte desse abismo

Dizem que sou má, não tenho compaixão e minha consciência me acusa sempre dessa verdade

Quero ser branda e imparcial com meus vilões, tenho que amar meus personagens, sem me importar com as angustias que me aturdira nas noites insones e obscuras de minha existência.

Falar sobre eles é dizer um pouco de mim em cada palavra e gesto que representem.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Faz tempo o sonho


 


 


 


 

Faz tempo o sonho

 

Guaratuba- 04 de dezembro de 2004

 

    Sonhei (na casa de Jocilene) pelo aniversário de Aline
    
    Eu saí de um lugar com muros altos e um lindo jardim, com árvores frondosas, um banco gostoso onde eu havia dormido. Eu estivera lá quando criança, mais ou menos três ou quatro anos, lembrava isto no sonho.
    Eu vestia uma saia preta, longa, uma blusa bonita em tom verde musgo. Eu era magra, esguia e muito jovem.
    Estava bem comigo, me sentia linda e bem vestida e seguia por uma rua desconhecida. De repente estava na Praça Rui Barbosa em Curitiba antiga quando era ainda um lugar de ponto de ônibus da cidade toda, no passado. Passava pelo quartel do exercito (hoje um mercado).
Eu caminhava pelas ruas dessa cidade antiga, mas estava sozinha, não havia ninguém, as ruas completamente desertas.
Quando atravessei a rua do quartel, percebi que estava descalça, esquecera definitivamente em calçar os sapatos.
Ergui a saia e contemplei meus pés no chão firme, senti na pele as pedras da rua antiga, olhei ao redor com vergonha, mas não havia ninguém mesmo.
Pensei em voltar para calçar os sapatos, porém decidi que não queria regredir, tinha que seguir adiante. Não sei onde estava indo, mas tinha que chegar há algum lugar. O fato é que olhando sempre meus pés no chão contrastando com a roupa bonita, eu me sentia confortável.
Então eu pisei firme as pedras da rua antiga, e com meu corpo jovem e magro segui adiante sentindo o calor do chão na pele do meu pé descalço.

 


sábado, 1 de outubro de 2011

Sonhos ou pesadelos

Sonhos ou pesadelos


 

Guaratuba 31 de junho de 2011


 

    Eu estava em uma festa, não sei onde e de quem era essa festa. Estava com um namorado, mas não lembro quem era.

    Ele se aproximou e me disse que precisaria levar a mãe dele para a casa com as amigas, e que eu fosse embora sozinha, pois não poderia mais voltar para me buscar. Fiquei decepcionada, porque no carro não havia lugar para mim, mas concordei assim mesmo, que estava tudo bem.

    Essa casa era em Coroados, pelo menos era para lá que eu pensava em ir, no meu sonho. Andando pelas ruas elas estavam inteiramente bem iluminas com lâmpadas amarelas intensas. De repente, a rua ficava às escuras, totalmente um breu. Eu estava sozinha. Olhava para todos os lados e não via ninguém. Completamente só. Voltava então para o inicio da rua tentando pegar outra senda quem sabe. Pensei, devo chegar à praia. Aquelas ruas são mais iluminadas, mas neste horário não há mais ônibus para coroados terei que ir caminhando.

    Mas ao regressar estava em outra rua, não aquela de principio, porém totalmente iluminada. Caminhava tranqüila, quando de repente novamente, estava tudo às escuras, eu completamente só e com medo. Voltei para o inicio do caminho, mas a rua era outra, e bastante iluminada. Pensei por esta eu chego à praia, mas novamente ficava tudo às escuras eu só e com medo.

    Eu estava perdida e assustada, ao redor a solidão plena, ninguém para pedir ajuda. Reconheci então a rua perto da colônia dos fiscais. Pensei, "Se seguir aquela rua dará direto na casa da tia Marta. Porém essa rua daria na vila leão em Curitiba. Iria pela Fernandes Pinheiro, chegaria à República Argentina e caminharia pela praia. Confusão. Rua em Curitiba, mas no sonho margeando o litoral de Guaratuba.

    Reconheci a casa de minha tia, cheguei à esquina e virei para a Fernandes Pinheiro, mas as ruas eram antigas, as mesmas que eu brincava quando criança. Em uma casa de madeira com uma grande varanda, como aquelas dos poloneses. Escutei o riso de minha irmã Bete. Vi luzes na casa e entrei chamando por ela.

    _Onde vocês está – me perguntou.

    _Aqui fora. Estou só. Não consigo achar o caminho de casa.

    Então como em um passe de mágica eu estava abraçada à minha irmã e chorando muito. Acordei chorando de verdade.

Sonhei com a mãe


 


 

Sonhei com a mãe

Quando?- esta noite


 


 

Guaratuba, 01 de Outubro de 2011


 

    Eu estava no quarto do hospital com a Emilie e a Bete. O chão estava todo sujo e a cama em que a Emilie dormiu não havia sido arrumada. Fiquei preocupada, dali a pouco passaria o médico e não iria gostar daquela bagunça.

    Pedi então para Emilie - Vamos arrumar isto tudo aqui, senão a vó pode pegar uma infecção e como está debilitada pode piorar. Ela começou a dobrar os cobertores. Havia um tapete igual ao carpete do quarto de minha mãe, embaixo da cama do hospital, todo sujo de farelo de pão e guardanapos de papel amassado. –Que nojeira. Pensei! Estamos ficando sem ânimo até para a limpeza.

    O Quarto era amplo e aberto para uma varanda com árvores frondosas, um lindo jardim. Sobre o telhado em um dos pavilhões anexos ao jardim, vi pássaros grandes, parecido com pombas, mas com uma crista igual ao cabelo dos moicanos. Observei a semelhança com os elmos dos soldados romanos. Um dos pássaros tinha cabeça vermelha. Mostrei a Emilie- Veja que lindos. Ela agitou os bracinhos e espantou todos.

    -Por que Emilie?

    _O vô fica brabo com os pássaros, eles comem as plantas dele.

    Em seguida veio outro bando de pássaros, mas de tamanho menor que os primeiros, com a mesma crista, igual ao corte de cabelos de moicanos. E Emilie fez a mesma coisa, espantando-os com os bracinhos. A Estes seguiu outro bando deles, menores ainda, com a mesma crista e novamente ela os espantou. Voltaram mais e mais pássaros sempre menores, mas com a mesma forma e crista, até que pareciam moscas, idênticas aos primeiros.

E a Emilie espantava todos.

    Quando percebi, parada no jardim a nos observar, estava à mãe sorrindo em pé. Parecia mais jovem, com aspecto saudável e feliz.

    -Mãe! Você acordou meu Deus! Você está aqui.

    -Achou que eu ia dormir para sempre?- Tenho que levantar e fazer tudo que preciso ainda. Não posso viver na cama.

    Eu chorava e não acreditava, enquanto abraçava minha mãe, eu dizia- Eu devo estar sonhando, só pode ser sonho, que bom a senhora está em pé. Enquanto eu chorava pensava- não quero acordar, Deus eu não quero acordar.

Mas acordei. E estou aqui. Que Pena! Foi mesmo só um sonho!


 

    


 

Mais um sonho


 


 


 


 


 

Mais um sonho


 


 

Quando? Esta semana

Guaratuba, 01 de Outubro 2011


 

    Eu estava na casa de Dona Helena, conversando... Estamos todos lá não sei!

    Então eu perguntei a ela, se eu poderia ficar com a tela em que ela está com senhor José, pintada a lápis de cor.

    Ela disse que eu poderia ficar e foi buscar no quarto. _Esta guardada, as meninas não querem que eu pendure na parede, é cafona. Respondeu.

    Voltou com a tela e trouxe também um vaso de vidro transparente em forma de peixe cheio de água. _Fique com esse vaso também para você!

    - Esse vaso não, respondeu a Eli... Deixe guardado lá no quarto.

    -Esse vaso é para a Linda- ela respondeu- Tem água benta.

No mesmo instante eu já estava em uma rua de minha infância, onde morava um curandeiro, que eu tinha medo dele. Andava com o corpo cheio de faixas coloridas, diziam que fazia despachos e curava pessoas. Não fazia mal a ninguém, mas eu queria ir embora dali.


 


 


 

    

Sempre sonhos


 


 


 

Sempre sonhos


 

Guaratuba, 01 de Outubro de 2011


 

    Parece que minha mente anda agitada demais. Sei que sonhamos todas as noites, porém meus pensamentos atribulados fazem-me lembrar sempre de meus sonhos.


 

    Eu estava em algum lugar desconhecido, com saudades demais de minha casa. Encontrei meu marido andando e perguntei-lhe pela Tuca. _Deixei a Dalva cuidando dela- respondeu.

    Uma melancolia intensa invadiu minha alma, senti saudades, vontade de chorar. Lembrei então de meus cavalos. O Coração apertou a melancolia se transformou em agonia, desespero. Precisava voltar. Perguntei ao Zé se alguém estava cuidando deles, e ele me respondeu que não havia deixado ninguém tomando conta de cavalos.

    Precisava voltar logo... Estava então em uma cidade pequena, mas não era ainda minha casa. Passei a conversar com pessoas que passavam pela rua e via muitas carroças pelo caminho, mas não meus cavalos. A cidade não era a minha, a casa não era a minha, mas encontrei meus cavalos caminhando. Abracei o de pelo preto e macio, com uma cauda imensa e ele sorriu para mim. Não dei importância ao marrom que estava parado me observando. Então uma escova apareceu em minha mão e passei penteá-lo com carinho, conversava com ele e me sentia feliz. Não sei como, coloquei os arreios sobre seu lombo e tentava montar, quando ouvi a voz do Zé me chamando. -Linda pare com isso.

    Eu colocara todas as cobertas sobre o Zé, uma perna em cima dele. Parece que estava tentando no sonho, como sonâmbula montar sobre meu marido que dormia tranquilamente, quando acordei com ele me pedindo socorro, par lhe tirar as cobertas do rosto.

    Como fui sonhar isso, não sei, nunca tive um cavalo, jamais montei ou vou montar. Tenho admiração pelo animal, medo...