domingo, 6 de novembro de 2011
como eu sonho
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
mantra
Filomena!
Não atrases
Volta para tua casa
Está na hora da Ave Maria
Estamos todos a tua espera
Para rezar o terço
Nossa senhora está a nossa espera
Para rezarmos todos juntos
Está na hora da Ave Maria
Vem as preces
Está na hora da Ave Maria
Não te atrases menina
Esta na hora da Ave Maria
Vamos as preces
terça-feira, 1 de novembro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Vilões
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Faz tempo o sonho
Faz tempo o sonho
Guaratuba- 04 de dezembro de 2004
Sonhei (na casa de Jocilene) pelo aniversário de Aline
Eu saí de um lugar com muros altos e um lindo jardim, com árvores frondosas, um banco gostoso onde eu havia dormido. Eu estivera lá quando criança, mais ou menos três ou quatro anos, lembrava isto no sonho.
Eu vestia uma saia preta, longa, uma blusa bonita em tom verde musgo. Eu era magra, esguia e muito jovem.
Estava bem comigo, me sentia linda e bem vestida e seguia por uma rua desconhecida. De repente estava na Praça Rui Barbosa em Curitiba antiga quando era ainda um lugar de ponto de ônibus da cidade toda, no passado. Passava pelo quartel do exercito (hoje um mercado).
Eu caminhava pelas ruas dessa cidade antiga, mas estava sozinha, não havia ninguém, as ruas completamente desertas.
Quando atravessei a rua do quartel, percebi que estava descalça, esquecera definitivamente em calçar os sapatos.
Ergui a saia e contemplei meus pés no chão firme, senti na pele as pedras da rua antiga, olhei ao redor com vergonha, mas não havia ninguém mesmo.
Pensei em voltar para calçar os sapatos, porém decidi que não queria regredir, tinha que seguir adiante. Não sei onde estava indo, mas tinha que chegar há algum lugar. O fato é que olhando sempre meus pés no chão contrastando com a roupa bonita, eu me sentia confortável.
Então eu pisei firme as pedras da rua antiga, e com meu corpo jovem e magro segui adiante sentindo o calor do chão na pele do meu pé descalço.
sábado, 1 de outubro de 2011
Sonhos ou pesadelos
Sonhos ou pesadelos
Guaratuba 31 de junho de 2011
Eu estava em uma festa, não sei onde e de quem era essa festa. Estava com um namorado, mas não lembro quem era.
Ele se aproximou e me disse que precisaria levar a mãe dele para a casa com as amigas, e que eu fosse embora sozinha, pois não poderia mais voltar para me buscar. Fiquei decepcionada, porque no carro não havia lugar para mim, mas concordei assim mesmo, que estava tudo bem.
Essa casa era em Coroados, pelo menos era para lá que eu pensava em ir, no meu sonho. Andando pelas ruas elas estavam inteiramente bem iluminas com lâmpadas amarelas intensas. De repente, a rua ficava às escuras, totalmente um breu. Eu estava sozinha. Olhava para todos os lados e não via ninguém. Completamente só. Voltava então para o inicio da rua tentando pegar outra senda quem sabe. Pensei, devo chegar à praia. Aquelas ruas são mais iluminadas, mas neste horário não há mais ônibus para coroados terei que ir caminhando.
Mas ao regressar estava em outra rua, não aquela de principio, porém totalmente iluminada. Caminhava tranqüila, quando de repente novamente, estava tudo às escuras, eu completamente só e com medo. Voltei para o inicio do caminho, mas a rua era outra, e bastante iluminada. Pensei por esta eu chego à praia, mas novamente ficava tudo às escuras eu só e com medo.
Eu estava perdida e assustada, ao redor a solidão plena, ninguém para pedir ajuda. Reconheci então a rua perto da colônia dos fiscais. Pensei, "Se seguir aquela rua dará direto na casa da tia Marta. Porém essa rua daria na vila leão em Curitiba. Iria pela Fernandes Pinheiro, chegaria à República Argentina e caminharia pela praia. Confusão. Rua em Curitiba, mas no sonho margeando o litoral de Guaratuba.
Reconheci a casa de minha tia, cheguei à esquina e virei para a Fernandes Pinheiro, mas as ruas eram antigas, as mesmas que eu brincava quando criança. Em uma casa de madeira com uma grande varanda, como aquelas dos poloneses. Escutei o riso de minha irmã Bete. Vi luzes na casa e entrei chamando por ela.
_Onde vocês está – me perguntou.
_Aqui fora. Estou só. Não consigo achar o caminho de casa.
Então como em um passe de mágica eu estava abraçada à minha irmã e chorando muito. Acordei chorando de verdade.
Sonhei com a mãe
Sonhei com a mãe
Quando?- esta noite
Guaratuba, 01 de Outubro de 2011
Eu estava no quarto do hospital com a Emilie e a Bete. O chão estava todo sujo e a cama em que a Emilie dormiu não havia sido arrumada. Fiquei preocupada, dali a pouco passaria o médico e não iria gostar daquela bagunça.
Pedi então para Emilie - Vamos arrumar isto tudo aqui, senão a vó pode pegar uma infecção e como está debilitada pode piorar. Ela começou a dobrar os cobertores. Havia um tapete igual ao carpete do quarto de minha mãe, embaixo da cama do hospital, todo sujo de farelo de pão e guardanapos de papel amassado. –Que nojeira. Pensei! Estamos ficando sem ânimo até para a limpeza.
O Quarto era amplo e aberto para uma varanda com árvores frondosas, um lindo jardim. Sobre o telhado em um dos pavilhões anexos ao jardim, vi pássaros grandes, parecido com pombas, mas com uma crista igual ao cabelo dos moicanos. Observei a semelhança com os elmos dos soldados romanos. Um dos pássaros tinha cabeça vermelha. Mostrei a Emilie- Veja que lindos. Ela agitou os bracinhos e espantou todos.
-Por que Emilie?
_O vô fica brabo com os pássaros, eles comem as plantas dele.
Em seguida veio outro bando de pássaros, mas de tamanho menor que os primeiros, com a mesma crista, igual ao corte de cabelos de moicanos. E Emilie fez a mesma coisa, espantando-os com os bracinhos. A Estes seguiu outro bando deles, menores ainda, com a mesma crista e novamente ela os espantou. Voltaram mais e mais pássaros sempre menores, mas com a mesma forma e crista, até que pareciam moscas, idênticas aos primeiros.
E a Emilie espantava todos.
Quando percebi, parada no jardim a nos observar, estava à mãe sorrindo em pé. Parecia mais jovem, com aspecto saudável e feliz.
-Mãe! Você acordou meu Deus! Você está aqui.
-Achou que eu ia dormir para sempre?- Tenho que levantar e fazer tudo que preciso ainda. Não posso viver na cama.
Eu chorava e não acreditava, enquanto abraçava minha mãe, eu dizia- Eu devo estar sonhando, só pode ser sonho, que bom a senhora está em pé. Enquanto eu chorava pensava- não quero acordar, Deus eu não quero acordar.
Mas acordei. E estou aqui. Que Pena! Foi mesmo só um sonho!
Mais um sonho
Mais um sonho
Quando? Esta semana
Guaratuba, 01 de Outubro 2011
Eu estava na casa de Dona Helena, conversando... Estamos todos lá não sei!
Então eu perguntei a ela, se eu poderia ficar com a tela em que ela está com senhor José, pintada a lápis de cor.
Ela disse que eu poderia ficar e foi buscar no quarto. _Esta guardada, as meninas não querem que eu pendure na parede, é cafona. Respondeu.
Voltou com a tela e trouxe também um vaso de vidro transparente em forma de peixe cheio de água. _Fique com esse vaso também para você!
- Esse vaso não, respondeu a Eli... Deixe guardado lá no quarto.
-Esse vaso é para a Linda- ela respondeu- Tem água benta.
No mesmo instante eu já estava em uma rua de minha infância, onde morava um curandeiro, que eu tinha medo dele. Andava com o corpo cheio de faixas coloridas, diziam que fazia despachos e curava pessoas. Não fazia mal a ninguém, mas eu queria ir embora dali.
Sempre sonhos
Sempre sonhos
Guaratuba, 01 de Outubro de 2011
Parece que minha mente anda agitada demais. Sei que sonhamos todas as noites, porém meus pensamentos atribulados fazem-me lembrar sempre de meus sonhos.
Eu estava em algum lugar desconhecido, com saudades demais de minha casa. Encontrei meu marido andando e perguntei-lhe pela Tuca. _Deixei a Dalva cuidando dela- respondeu.
Uma melancolia intensa invadiu minha alma, senti saudades, vontade de chorar. Lembrei então de meus cavalos. O Coração apertou a melancolia se transformou em agonia, desespero. Precisava voltar. Perguntei ao Zé se alguém estava cuidando deles, e ele me respondeu que não havia deixado ninguém tomando conta de cavalos.
Precisava voltar logo... Estava então em uma cidade pequena, mas não era ainda minha casa. Passei a conversar com pessoas que passavam pela rua e via muitas carroças pelo caminho, mas não meus cavalos. A cidade não era a minha, a casa não era a minha, mas encontrei meus cavalos caminhando. Abracei o de pelo preto e macio, com uma cauda imensa e ele sorriu para mim. Não dei importância ao marrom que estava parado me observando. Então uma escova apareceu em minha mão e passei penteá-lo com carinho, conversava com ele e me sentia feliz. Não sei como, coloquei os arreios sobre seu lombo e tentava montar, quando ouvi a voz do Zé me chamando. -Linda pare com isso.
Eu colocara todas as cobertas sobre o Zé, uma perna em cima dele. Parece que estava tentando no sonho, como sonâmbula montar sobre meu marido que dormia tranquilamente, quando acordei com ele me pedindo socorro, par lhe tirar as cobertas do rosto.
Como fui sonhar isso, não sei, nunca tive um cavalo, jamais montei ou vou montar. Tenho admiração pelo animal, medo...
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Quando a morte aprendeu a esperar o tempo
Quando a morte aprendeu esperar o tempo
E ela que passara a vida toda conquistando seu chão, encontra-se agora presa da moira indecisa, se corta ou não o fio da vida, enquanto a outra tece sem compaixão, as tramas inexatas de sua existência. Ela segura firme a mão certa do golpe final, pede o tempo, alarga a mente buscando suas esperanças escondidas em algum canto da lembrança.
Em outra época teria sucumbido ao enfarto, não agüentaria uma parada cardíaca por doze minutos. A tecnologia e a medicina avançada souberam parar a morte, deixá-la confusa quanto ao seu oficio, a hora certa de viver. Será que viera antes? Afinal a Moira ainda tece seu destino, com visão turva e mãos tremulas sem saber se deixa outra cortar esse fio. Parece que o lençol ainda não está terminado, ainda faltam bordar alguns garanitos, fechar o caseado, para se cobrir definitivamente o corpo que deveria estar sem vida.
O que é isto afinal? Não está morta, mas também não esta totalmente viva.
Agora irá para a casa, não a sua onde passou toda a eternidade só, esperando a esperança de um carinho, um afeto, além da cobrança dos deveres. Cuidou e não foi bem cuidada. Sempre se mostrou firme como um rochedo, as mãos de ferro a segurar seus dias. Ninguém percebeu sua fragilidade, seu cansaço. Precisou parar o coração para atentarmos o que lhe faltava.
O que me entristeci em tudo isto é saber que minha mãe trabalhou tanto para ter sua casa, agora não poderá retornar ao seu de direito, terá de conviver com os filhos para que possam cuidar com dignidade e amor de seu corpo parado.
Meu Deus! Não pode mexer os braços, as pernas, esperar que a mente lhe leve pelas sendas obscuras das células que não foram afetadas.
Soube hoje que está conseguindo um pouco de movimento
Força mãe... Acredite em milagres!
Deus escreve nosso destino!
terça-feira, 21 de junho de 2011
O irmão mais velho
O irmão mais velho
Tenho pensado muito nos últimos dias sobre a situação de viver sendo a irmã mais velha. Eu também velha.
Minha mãe e meu pai, assim como minha sogra e meu sogro, são e foram os irmãos mais novos, chegaram ao fim da jornada dura e árdua da existência inicial de uma família. O Ednei meu filho pode-se dizer ser mais novo apesar de nascer no mesmo dia e mês que o irmão Edgar, apenas com um ano de atraso. Viveram as dificuldades e alegrias da família ao mesmo tempo. Eu e o Zé somos os irmãos mais velhos. Às vezes sinto remorso do meu recluso, da busca de solidão, mas não é egoísmo e sim uma necessidade de viver um pouco a vida, de fazer aquilo que realmente gosto e nunca tive oportunidade pelas obrigações de irmã mais velha.
Eu vivi o tempo pobre de meus pais, com as dificuldades financeiras e o desejo que tinham em melhorar, além dos critérios políticos de uma época em que os emigrantes até eram bem vindos, mas com poucos direitos.
Uma das coisas que hoje mais gosto de comer é feijão preto com arroz, pois quando era criança só comia essa regalia na casa dos vizinhos, porque minha mãe além de não conhecer o referido cardápio, nos servia carne de porco com batatas doce, pão com leite, açordas e outras iguarias de Portugal. Bacalhau naquele tempo era comida de pobre, vendido nas portas de mercearias (Hoje se tornou caro e para poucos privilegiados). Arroz com feijão também era comida de pobre, apenas mais gostosa. Os irmãos mais moços, comeram queijos, pizzas, arroz com feijão e carne, saladas, geléias e podiam passar margarina à vontade no pão.
O uso do penico era normal nas casas pobres, esse era nosso banheiro à noite. Durante o dia havia a retrete nos fundos do quintal, (um buraco na terra, com um banco de madeira e um buraco no meio, onde fazíamos as necessidades, revestido com uma casinha e uma porta com frestas, dividindo o espaço com um galinheiro e um chiqueiro. Nossos banhos eram feitos em uma bacia grande, primeiro lavávamos a cabeça e depois o resto do corpo. Chuveiros eram luxo de rico e banhos somente nos finais de semana, costume europeu, pelo menos entre os meus ancestrais, sabão no lugar do sabonete. Eu não andava suja, tampouco rota, minha mãe boa costureira sempre fazia lindos vestidos, mas apenas para ir à missa ou passear algumas vezes pela cidade. Os irmãos mais moços, tiveram torneiras e banheiros, toalhas e papel higiênico.
A água era retirada do poço com um balde amarrado em uma corda puxado por uma roldana. Esse foi o meu trabalho de infância mais árduo e cansativo, pois tinha que manter o balde da pia sempre cheio e quando minha mãe lavava a roupa eu tinha que manter sempre o tanque com água, para esfregar, e enxaguar. Passava horas do dia fazendo isso, quando não era eu mesma quem lavava as fraldas de meus irmãos mais moços.
Eu brincava de pular corda e me divertia também, tinha bonecas de louça, mas gostava mesmo era das de borracha, caras e novidades, pois as louçadas hoje valiosas para quem as conservou, quebravam fácil demais.
Como Irmã mais velha eu tinha que cuidar dos menores para minha mãe poder bordar, quando eu não estava bordando bainhas ou fazendo cordinhas de crochê para pregar santinhos e escapulários. Na adolescência claro que eu gostaria de ter ido mais ao cinema, e ao circo, porém durante muitos domingos tive que fazer companhia a minha mãe e cuidar de meus irmãos. Levei ao colégio, dormi com eles em meu quarto e fui responsável todas as tardes, depois de limpar a cozinha, e enquanto fazia meus deveres de escola. Não fui infeliz, mas tive que aprender fácil as responsabilidades de Irmã mais velha.
Eu vivi os horrores da loucura, o medo do escuro e medo da polícia por ser irmã mais velha, mas essa eu conto depois.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
meu nome
domingo, 22 de maio de 2011
Guaratuba, 17 de maio de 2011
Querido filho Edgar
Tua avó partiu!
Espero que você esteja bem e tranqüilo para poder continuar tua jornada.
Pena estar tão longe e não poder segurar a alça daquele caixão guardado no mesmo túmulo de teu avô.
Tua avó foi sepultada sem as mãos bendezidas de seus netos para tocar-lhe as mãos frias da morte
O velório foi bonito, apesar de ser um dia de semana tinha muita gente. O cortejo seguiu lento em um dia azul e frio.
Os amigos de tuas tias estiveram presentes, tanto no velório como no sepultamento. Ela recebeu muitas coroas de flores.
Teu padrinho Enoir e teu primo Edson, ajudaram a segurar a alça do caixão, tanto na saída de casa como no cemitério para colocá-lo no carrinho e depois para guardá-lo na gaveta do túmulo. Eles fizeram por você o que o coração mandou.
Teu pai está te mandando obituário. Reze por ela e peça a Deus que tenha piedade por sua alma.
Beijos de tua mãe de teu pai que te amam muito.
Linda
quarta-feira, 18 de maio de 2011
procuras
no céu sem limites
no paraiso incerto
no inferno vivido
procurei você;
em pessoas
alegres e tristes
nos lugares;
escuros e longos
nas crianças
que em meu caminho
para longe atirei;
não encontrei
em nada pro mundo
ninguém melhor
ou pior;
que eu
Comemorar bodas
caro amante
caro amigo na solidão do tempo
não envelhecemos
separados à distância
juntos no pensamento Recordar o tempo
Recordar o amante
recorrer o amigo]Neste longo caminho
!Não caimos!
sábado, 7 de maio de 2011
pesadelo
Pesadelo
Guaratuba, 17 de abril de 2011
De repente eu estava no meio do capinzal, mato alto, vegetação desconhecida, conversando com um bebe somente de fraldas descartáveis. Ele me dizia que estava bem, que eu não precisava me preocupar, por que estava entre amigos, que logo o pai viria buscá-lo. Esse bebe, era o Jonas Gabriel, que o Edgar havia deixado para traz, quando voltou de viagem para o Piauí. Eu não conseguia entender porque ele tomara uma atitude tão brutal, abandonando o filho no meio da rua com outros bebes abandonados. Carinhosamente o peguei no colo e perguntei se tinha mais fraldas para trocar porque estava todo sujo. Envolveu seus pequenos bracinhos em meu pescoço, me beijou bastante na face e chorou, me pedindo que não queria ficar ali, porque tinha medo dos ratos. Foi quando vi ratazanas passeando no meio do capinzal, e disse a ele, _vou pedir a avó Helena para deixar você morar na casa dela, até teu pai vir te buscar, pois eu não Tenho onde morar também eu estou tão só quanto você. De repente eu não estava mais no capinzal, caminhava pela rua oposta a minha casa onde morei toda a ávida, antes de vir PARA Guaratuba. Percebi então que estava tendo um pesadelo. Mas como vim parar ali? Só poderia ter levantado de minha cama dormindo, me sentia cansada, pois estava na rua sonâmbula e acordei caminhando. Parecia longe demais para chegar a minha casa. Eu sabia que o Edgar não abandonaria o filho e estava satisfeita de estar somente sonhando. Mas preocupada porque andava no sonho. Foi um sonho, dentro de outro sonho, meu Deus que aflição, pelo abandono, pelos ratos, pelo mato tão alto, por andar dormindo, cansada... Acordei, sobressaltada, agora escrevo tudo sem nexo, para não esquecer, não quero perder o fio da meada, sabe como é sonho, em um relance você esquece tudo.
Ontem falei ao telefone com o Ednei, parecia preocupada, deve ter sido este o motivo de pesadelo tão feio. Meu Deus! Enquanto escrevo isto, estou chorando.
domingo, 1 de maio de 2011
Como me lembro, de minha avó ajoelhada aos pés da mãe de dona Ana Mikowski, para entregar sua alma a Deus,
A oração da boa morte
Preocupação com a sua Própria morte no hospital Erasto Gaetner, e de como os franciscanos da ordem terceira, rezando por ela para entregar sua alma a Deus.
A Rosalina estava chorando na casa de minha avó pedindo a ela que fosse rezar aos pés de sua avó, que estava morrendo.
Com muita paciência, a senhora dona Matilde, buscou seus missais, e foi para a casa da família Mikowski, para confiar à alma da velha senhora ao todo poderoso.
Eu e meus irmãos passamos a tarde brincando na rua, (Naquele tempo a rua era tranqüila, não passavam carros e o povo muito mais educado), mas parava de pular corda para entrar na casa da vizinha e sondar o que estava acontecendo, curiosidade natural de criança, que não compreendia nada da morte, nem o sentido que aquele era o momento, em que o ser humano está mais só em toda sua vida.
Esta solidão, minha avó completava com suas orações, ajoelhada aos pés da cama da moribunda, pedia a Deus sua salvação na vida eterna, esperando junto a Ele seus descendentes que um dia a acompanhariam naquela jornada, aonde todos vamos, apenas a avó de dona Rosalina estava indo na frente, encontrar os seus que já se foram.
Minha avó rezava a oração da Boa Morte, a Ladainha da Entrega, e em momento algum pensou em levantar dali, apoiada na sua fé, ouvindo o choro e a lamuria dos familiares dessa senhora, que fraca na sua doença tentava balbuciar as palavras da oração com fé, sabia que sua hora havia chegado.
Eu não estava gostando daquele ambiente, saia para brincar novamente, mas não conseguia me concentrar na brincadeira, sempre entrava na casa, para sondar aquilo que estava acontecendo ali. Minha mãe me pedia silêncio, pois o momento era solene, ali estava sendo realizado um ritual antigo, por alguém que conhecia e acreditava naquilo que estava fazendo.
Várias vezes eu brinquei e entrei na casa, fiquei velando junto a eles, mas a tristeza era muita. Porque sentimos tanta amargura quando perdemos o ente amado? Se acreditarmos que vamos para melhor, no Jardim do Édem, não deveríamos chorar tanto.
Minha avó rezou a manhã toda, não aceitou comida e água, enquanto fazia suas orações junto à velha senhora, que ao entardecer daquele dia, expiou.
Apoiada por Rosalina, sem forças para levantar, minha avó chorou.
Naquela noite, enquanto rezava seu terço, sentada, (raras vezes rezou assim, mas seus joelhos deviam estar doendo demais), Dona Matilde sabia que tinha feito a boa ação Franciscana, e que seu santo estava orgulhoso dela.
Não existe a dor para quem tem fé.
Texto da Linda/ 15/04/2011.
Guaratuba, 29 de abril de 2011.
Fui morar na Vila Cubas, aos 7 anos, porque meu pai perdeu o emprego na fabrica de erva mate, Leão Junior, onde trabalhou desde o primeiro dia que chegou a Curitiba, exatamente sete anos antes, e vivi nela durante toda a minha vida, até vir para Guaratuba. Apenas quatro anos de licença em Bauru.
Nossa casa era de madeira, com cinco degraus mais ou menos, feitos de pilares altos, e dava para entrarmos embaixo dela, onde eu e meus irmãos costumávamos brincar. Nunca tive claustrofobia quando criança não sentia medo de ficar embaixo da casa. Porém, certa vez sonhei que estava brincando lá e, de repente, o vão entre a casa e a liberdade ficou muito estreito e eu não conseguiria sair. Fiquei desesperada com a situação em que me encontrava, olhando por todos os lados, estava presa ali. Comecei então a gritar por socorro, chamando minha mãe, mas a voz saia muito baixinha, quase um sussurro. Dessa forma minha mãe nunca me ouviria, e cada vez tentava gritar mais alto, mas a voz estava sufocada, e eu não conseguia emitir som algum. Acordei com um safanão de alguém , não lembro se minha mãe, ou meu pai ou quem sabe minha avó, porque eu gritava em alto e bom som chamando por minha mãe dentro do quarto, apesar, de no sonho a voz não sair.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
emigrante
sexta-feira, 15 de abril de 2011
na aula de francês
sábado, 2 de abril de 2011
um costume antigo
quinta-feira, 17 de março de 2011
uma carta na gaveta
Guaratuba, 13 de Setembro de 2007
Guarde em algum lugar, todas as cartas que vou te escrever e aos teus filhos e esposa, pois um dia quando sentirem saudades de mim, terão algo concreto, como palavras ao vento, poemas, minha saudade, eu mesma, meu coração. Eu amo muito todos voces. Espero que esta vá enconta-los com saúde e alegria
Estou mandando dois carrinhos de tua infância, um para você e outro para o Jonas Gabriel, para que brinquem no tapete da sala. Será o legado que deixarás para teu filho, "A lembrança de uma brincadeira".
Um beijo na Aline, um beijo para Alana, um beijo ao Jonas Gabriel, um beijo em Jocilene, um beijo para você.
Eu e teu pai te amamos muiiiito.
Beijossssssssss
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Heróis
Ingenuidade ou emoção
No calor dos sentimentos
Ao defender a heroína
Fui implacável com meu vilão
Também um herói.
Vou procurá-lo
Não posso perde-lo
Sentirá em minhas mãos
O peso da brandura
A serena doçura do gesto
A alma generosa
Com que faz a história acontecer
Amores e ódios como Fênix
Renascem irmãos
Heróis e vilões
Na justa sentença
Geradas no coração.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
O martyr do golgotha (canto)
Ao Cezar Imperador
De Minerva e de Saturno
Gira o sol no alvo sector
Das trombetas belicosas
Chama o limpido clangor
Para os combates da arena,
O valente gladiador.
Vae á frente, airosoe fero
Do invencivel esquadrão,Agenor, o rei da arena,
Braço forte e rija mão.
Leva Jupter nos braços
E Marte no coração.
Tem de Alcide a agestade
De Moloch o olhar pagão.
Jovem é mas sobre a a fronte
Já tem cingido os alaureis
De cem combates na arenaEcem victorias crueis.
N'esse vasto anphitheatro
Ao ver o seu campeador,
Respira sangue e furor,
Emquanto os deuses do Olympo
No vasto Olympo pagão
Disputam votos e oblatas
Da sanguinaria funcção,
Da humana victima o sangue
Por mãos de Agenor vestido.
Dá-lhe joias a patricia,Riquezas o Imperador,
O proprio Senado e Roma
Banquetes em seu louvor,
Porque, retiario, sempre
Os duros thyracios venceu
E ora a cavalo, ora em carro
Bretão e a Gallo excedeu;
Porque das margens do Tibre
Aos Campos de Hermon em flor
Não ha quem vença a na arena,
Quem vença o grande Agenor.

